terça-feira, 15 de março de 2011
sexta-feira, 19 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
30 conselhos vindo do coração

Este texto é atribuído a Künkhyen Longchen Rabjam Drime Özer, também conhecido como Longchenpa, considerado um dos maiores mestres do budismo tibetano da linhagem Nyingma.
O nome Longchenpa traz como atributo “Imenso Conhecimento”, o que faz com que ele seja algumas vezes receba o título de “Segundo Buddha”, uma honra geralmente conferida a Padmasambhava, que foi o responsável por levar o budismo para o Tibet.
No meio do céu totalmente abarcante de sua sabedoria, o espaço absoluto, sua compaixão se manifesta em forma de raios luminosos que brilham das nuvens, fazendo brotar a chuva abundante de néctar em forma de gotas de sabedoria que caem incessantemente na mente dos seres, umedecendo e amadurecendo a semente de sabedoria, a semente dos três kayas.
Nos prostramos ao Lama, o protetor, o supremo das três jóias.
Pelo poder das minhas aspirações, tive a honra de pertencer à linhagem suprema; mas, por falta de diligência, esta existência vivida em vão chega agora ao seu crepúsculo. Gostaria de me manifestar como os rishis, mas, assim como outros iguais a mim, me encontro agora totalmente deprimido.
Por este motivo, para que possa despertar na minha mente a clara renúncia, compus estes trinta conselhos vindos do coração.
[1] Ah! Tendo atraído um grande círculo de pessoas através de meios hábeis, podemos estar no apogeu do estado monástico. Por outro lado, isto também pode ser a fonte de intrigas e razão para um grande autocentramento.
Mantenha-se centrado apenas na prática — este é o meu conselho do coração.
[2] Em ocasião de cerimônias, com a motivação de remover obstáculos e de oprimir os maus espíritos, podemos talvez exibir nossas qualidades em público. Mas, por apego à comida e às riquezas, é a nossa própria mente que estará sendo dominada pelos demônios.
Seja o senhor de sua própria mente — este é o meu conselho do coração.
[3] Após termos coletado grandes contribuições de pessoas humildes, podemos então construir estátuas e monumentos, espalhar esperanças e assim por diante. No entanto, isto só contribui para que outros acumulem deméritos em solos virtuosos.
Apenas mantenha sua mente na virtude — este é o meu conselho do coração.
[4] Visando a própria grandeza, explicamos o Dharma aos outros e, através de truques enganosos, adquirimos o poder de reter um grande círculo de pessoas humildes e importantes. No entanto, uma mente apegada a tais ações é fonte de orgulho.
Tenha planos de curto alcance — este é o meu conselho do coração.
[5] Vender ou emprestar, motivados pelo próprio interesse e todas essas ações equivocadas — com a riqueza acumulada desta maneira equivocada, podemos fazer imensas oferendas, mas os méritos ancorados na avareza são a fonte dos oito dharmas mundanos.
Medite sobre a rejeição do desejo e do apego — este é o meu conselho do coração.
[6] Agindo como testemunha, fiador, nos envolvendo em julgamentos da lei, podemos resolver intrigas alheias, acreditando estar agindo para o bem de todos. No entanto, a indulgência desperta aspirações autocentradas.
Mantenha-se sem expectativas ou apreensões — este é o meu conselho do coração.
[7] Atividades tais como administração de províncias, ou mesmo o fato de possuirmos muitas riquezas materiais e inúmeros empregados, podem nos trazer enorme renome internacional. No entanto, na hora da morte, todas essas coisas não têm a menor utilidade.
Mantenha-se focado na prática — este é o meu conselho do coração.
[8] Tesoureiros, atendentes, cozinheiros e pessoas em posições competentes são os pilares da comunidade monástica. Mas a mente interessada nisso é a causa de preocupações.
Minimize essa confusão administrativa, este é o meu conselho vindo do coração.
[9] Podemos nos equipar com todos os objetos necessários quando em retiro isolado nas montanhas, como objetos religiosos, livros, oferendas e utensílios para a cozinha. No entanto, estar bem equipado neste momento é a fonte de dificuldades e intrigas.
Simplifique a sua vida, esta é o meu conselho vindo do coração.
[10] Em tempos de degenerescência, podemos reprovar pessoas grosseiras à nossa volta. Apesar de acharmos que isso será de utilidade para elas, essas atitudes não passam de pensamentos venenosos.
Apenas pronuncie palavras pacificadoras— este é o meu conselho do coração.
[11] Com uma boa motivação e cheios de afeição, podemos apontar às pessoas os seus defeitos, apenas desejando seu bem. Ainda assim, apesar de ser verdadeiro o que dizemos, isto vai amargurar os seus corações.
Limite-se às palavras amáveis e construtivas, este é o meu conselho vindo do coração.
[12] Com a motivação de preservar a pureza dos ensinamentos do Buddha, podemos entrar em debates, defendendo nosso ponto de vista e contradizendo os pensamentos de outros. No entanto, seguindo este caminho, estaremos induzindo a pensamentos impuros.
Mantenha seu silêncio— este é o meu conselho do coração.
[13] Acreditando estar contribuindo para o Dharma, podemos apoiar de uma maneira partidária a linhagem e as visões filosóficas do Lama. No entanto, honrar uns e menosprezar outros fortalece os nossos apegos e raivas.
Mantenha-se afastado dessas coisas — este é o meu conselho do coração.
[14] Tendo contemplado profundamente o Dharma, podemos chegar à conclusão de que compreender os erros alheios é a prova de que manifestamos a sabedoria discriminativa. No entanto, pensando desta maneira, apenas acumulamos deméritos.
Olhe tudo como verdadeiramente puro — este é o meu conselho do coração.
[15] Fixando-se na vacuidade e ignorando a lei da causa e efeito, podemos pensar que a não-ação é o verdadeiro ensinamento do Buddha, o ponto último do Dharma. No entanto, o abandono das duas acumulações extinguirá a prosperidade da nossa prática.
Una esses dois pontos, a ação correta com a compreensão da vacuidade — este é o meu conselho do coração.
[16] No que diz respeito à terceira iniciação, há, entre outras coisas, a diminuição da essência. Podemos pensar que o caminho do corpo físico de uma outra pessoa nos guiará para um progresso extraordinário. No entanto, muitos grandes meditantes também já foram vítimas desse caminho impuro.
Permaneça apenas no caminho da liberação — este é o meu conselho do coração.
[17] Conceder iniciações a pessoas não qualificadas e distribuir aleatoriamente textos sagrados são uma fonte de abuso e quebra de samaya.
Prefira um comportamento correto — este é o meu conselho do coração.
[18] Podemos tomar ações excêntricas, como andar nu em público ou coisas parecidas, como sendo corretas e dignas de um grande yogi, mas esse tipo de atitude só degrada o Dharma e faz com que pessoas percam a fé nos ensinamentos.
Pondere todas as suas ações — este é o meu conselho do coração.
[19] Em várias etapas do caminho, pelo desejo de grande reconhecimento, podemos agir de maneira convencional e astuta. No entanto, esta é a causa da queda dos reinos superiores para os inferiores.
Não produza a ansiedade de ser o melhor nem se desinteresse pelo caminho— este é o meu conselho do coração.
[20] Independente de habitamos em cidades, mosteiros ou de estamos em retiros isolados nas montanhas, deveríamos, sem procurar ou insistir, ser cordiais com todos, sem nem demasiada intimidade nem anonimato.
Mantenha sua própria independência — este é o meu conselho do coração.
[21] Assumindo uma atitude artificial, podemos prestar homenagem aos protetores que cuidam de nós durante a nossa existência. Mas fingir às custas dos outros nos leva à própria complicação.
Aja de modo uniforme com todas as pessoas — este é o meu conselho do coração.
[22] Existem incontáveis textos e informações sobre adivinhações, astrologia, medicina e assim por diante. Apesar de todos eles lidarem com métodos baseados na interdependência, nos levando assim à onisciência, um interesse demasiado nesses temas provoca a dispersão mental, nos tirando do caminho da prática da contemplação.
Minimize os estudos dessas ciências — este é o meu conselho do coração.
[23] No momento em que estivermos preocupados em organizar o interior, podemos nos sentir confortáveis, mesmo em meio à plena solidão. No entanto, podemos estar jogando uma vida inteira fora com esses detalhes triviais.
Mantenha-se afastado dessas atividades — este é o meu conselho de coração.
[24] Através da erudição, virtuosidade e diligência, as qualidades pessoais podem atingir seu ponto culminante. Ainda assim, qualquer apego associado a essas qualidades só vai nos trazer complicações.
Mantenha-se livre e sem autocentramento — este é o meu conselho do coração.
[25] Fazendo surgir granizos e trovões, jogando feitiços e, ao mesmo tempo, protegendo-se de tudo isso, podemos pensar que estamos dominando o que há para ser dominado. No entanto, prejudicando outros seres, vamos acabar nos reinos inferiores.
Mantenha-se humilde — este é o meu conselho do coração.
[26] Podemos possuir em abundância os mais desejáveis textos, conselhos dos mestres, notas e assim por diante. Ainda assim, se não colocamos tudo isso em prática, na hora da morte eles não serão de nenhuma utilidade.
Estude a sua própria mente — este é o meu conselho do coração.
[27] Quando praticamos com diligência, podemos ter muitas experiências ou insights, discuti-los com os outros, escrever versos ou mesmo cantar canções sobre a realização. Apesar de essas coisas serem manifestações naturais da prática, elas irão aumentar a dispersão mental.
Mantenha-se afastado da intelectualização — este é o meu conselho do coração.
[28] Independente de quais pensamentos surjam, é importante que nós os olhemos de frente. Da mesma forma, tendo uma compreensão clara da mente, é importante sustentar essa compreensão. Apesar de não haver sobre o que meditar, é importante nos mantermos nessa meditação.
Mantenha-se sempre vigilante — este é o meu conselho do coração.
[29] No meio da vacuidade, agindo de acordo com a lei de causa e efeito, tendo compreendido a não-ação, mantendo os três votos com absoluta compaixão, possamos nos esforçar para o benefício de todos os seres.
Una as acumulações de mérito e sabedoria — este é o meu conselho do coração.
[30] Apesar de termos seguido muitos Lamas sábios e realizados, de termos recebido inúmeras instruções profundas e de termos lido alguns sutras e tantras, ainda não os colocamos em prática.
Cuidado! Você está se enganando.
Através de minha própria experiência e de outros como eu, recitei esses trinta conselhos vindos do coração. Que os méritos, mesmo que pequenos, surgidos deste espírito de renúncia, venham a beneficiar e guiar todos os seres sencientes nessa selvagem existência cíclica, e que estabeleçam uma bênção incomensurável.
Que todos nós, seguindo os passos dos buddhas e bodhisattva dos três tempos e de todos os grandes seres iluminados, possamos nos tornar seus filhos supremos.
Assim, inspirado por uma pequena renúncia, Tsültrim Lodrö [Longchenpa] concebeu esses trinta conselhos vindos do coração.
Fonte:
domingo, 12 de abril de 2009
Brincando com Deus

Meus olhos percorrem as grandes montanhas querendo encontrar Aquele com quem desejo brincar.
Sinto que o silêncio paira em meu ser e percebo Sua Presença a dançar comigo, cobrindo de luz e mel este momento;acariciando minhas mãos, saltando com o vento.
Entrego-me ao amor e contemplo Meu Criador a correr por entre os campos verdes da minha vida;
escondendo-se por entre as flores para depois trazer-me seu perfume;
iluminando meus dias na Sua generosa compreensão e paciência;
mostrando-me a infinidade de cores e texturas em cada ponto da natureza, criadas somente para serem desfrutadas e embaladas em meu coração para que sempre eu possa lembrar da Sua Presença Sã, do Seu Sagrado Nome.
segunda-feira, 30 de março de 2009
PORTAL
terça-feira, 24 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
Você é o que você come....

Por José Joacir dos Santos
A vontade e até a necessidade de usar drogas, maconha, comprimidos para dormir e qualquer outra coisa que mexa com o estado de consciência está diretamente relacionada com baixas vibrações energéticas, assédio espiritual, vampirismo e magia negra e a grande fonte de sustentação energética vem dos alimentos e líquidos ingeridos, o chamado Chi do corpo, isto é, aquele calor que aquele as mãos e o corpo físico em geral.
Todas as coisas visíveis e invisíveis neste e em todos os mundos têm algo em comum: sintonia. Assim como a mulher grávida, influenciada pelo bebê que carrega, tem vontade de comer doces infantís, a pessoa com baixa vibração energética é alvo fácil das correntes mentais de pensamentos dos seres visíveis e invisíveis carregados de inveja, maldade e malediscência. Os espíritos que se recusam a aceitar a morte, vivem de sugar alimentos já processados, isto é, o que você come e processa.
É só você está pessimista, deprimido ou com baixo nível de energia que vira presa fácil da vampiragem alimentícia.
Na medida que o ser eleva a sua vibração energética pela oração e pelas práticas das terapias energéticas como Reiki, passe magnético, cânticos e meditação, a comunicação com forças mentais positivas, visíveis e invisíveis, também aumenta, dificultando o vampirismo. É fácil perceber isto: quanto a gente está feliz, a digestão é uma beleza. Quando está triste e deprimido… Tudo isso é pura física, a lei da atração dos semelhantes e o corpo físico corresponde e responde a todos os impulsos energéticos ao redor.
Ao contrário da energia, fundamentada na polaridade negativa e positiva, Yin e Yang, as forças mentais contrárias não funcionam juntas por muito tempo e é esta uma das razões pelas quais pessoas muito diferentes não vivem juntas por muito tempo, mesmo que a diferença seja somente física já que o físico carrega em si a memória celular dos pensamentos, vontades, desejos, etc. Cada pessoa produz um campo eletromagnético.
Quando o assunto é mental, a palavra-chave é afinidade e esta é como o código de uma língua. Para você aprender a falar inglês, você tem que remodelar todos os seus hábitos mentais para entrar na sintonia da língua. Alguém pode passar anos em escolas de inglês, se não visitar um país que fala aquela língua funciona como um papagaio que imita bem mas não tem a alma da língua. Uma vez que físico, mente, emoção e espírito caminham juntos, sempre, na medida em que você modifica os seus hábitos físicos você passar a vibrar em uma sintonia diferente e consequentemente a mente, a emoção e o espírito entram em novo patamar de afinidade e sintonia — e isso inflencia até o que você quer comer.
Tomei café por toda a minha vida, exceto nos anos que em vivi na China porque café de verdade era difícil de ser encontrado naquela época. O simples fato de tomar menos café mudou todo o meu olfato. Na mesma época passei a comer mais frutas e verduras e a mudança foi incrível: sentia de longe o cheiro das árvores, das pessoas, dos meus órgãos internos e atraí pessoas leves e interessantes.
As pessoas agressivas e grosseiras me evitavam. Recentemente larguei o café mais uma vez, diminui as carnes, aumentei as verduras, as frutas e o fluxo da energia Reiki é sentido com mais intensidade. Dentro de um ônibus coletivo posso identificar cada pessoa pela cheiro. As pessoas mais agressivas têm certo odor e as mais amáveis a ausência desse odor. Até o cheiro do seu próprio esperma modifica.
O trabalho de elevação energética é duro e exige disciplina. Já sabemos que as iniciações, que só ocorrem presencialmente, modificam os padrões eletromagnéticos do corpo. Essa alteração é refletida no corpo físico e nos demais corpos densos que toda pessoa tem. É um processo psicossomático perfeito. Ao alterar o eletromagnetismo, a memória celular do corpo físico é também modificada para manter a sustentação energética. Quando a energia da pessoa está desequilibrada, a digestão não flui e a obesidade chega.
Quando você está equilibrado, o corpo passa a rejeitar os alimentos que não têm a frequência energética compatível pela digestão. Muitos mestres Reiki, passistas e praticantes de terapias energéticas têm problemas sérios de saúde e não conseguem perceber que têm os fios eletromagnéticos alterados e continuam comendo as mesmas coisas que comiam antes das iniciações e tratamentos espirituais.
A alimentação é o único diferencial entre saúde e doença. Diga o que você come que eu direi como é a sua saúde e a sua vida em geral. Por exemplo, a única bebida alcoólica que hoje consigo beber um copo é vinho tinto, se for Cabernet Sauvignon. O resto me faz mal imediatamente. Dois dedos de cerveja é o suficiente para me fazer vomitar.
Depois de muitos anos comendo muito pouco carne vermelha, fui a uma churascaria brasileira em San Francisco acompanhar amigos e depois do jantar vomitei tudo. Levo para o trabalho todos os dias a comida que eu mesmo faço, uma mistura de vegetais, frutas e sementes. Se quizer passar mal é só colocar um molho qualquer, desses prontos para saladas. Embora tenham o rótulo de “natural”, eles não conseguem enganar a minha corrente eletromagnética.
Os monges tibetanos, budistas e taoístas primam por uma alimentação leve, saudável, cheia de verduras, frutas e legumes. A sustança da carne é uma ilusão, diz Ramatis em seu livro “Fisiologia da Alma”. As substâncias e alimentos espirituais servidos nos centros de recuperação espirituais são à base de caldos, muito semelhantes a caldos de feijão com verduras, batatas, milho e ervas medicinais.
Alguns hospitais da Ásia também servem sopas de soja e de diversos tipos de legumes e verduras, sempre mornas, com ervas medicinais. Por exemplo, caldo de feijão verde com sumo de limão de caipirinha combate alergias. Nas viagens astrais eu já fui alimentado com minerais extraídos de terras virgens. Na época estava sofrendo de uma dor estranha no ombro esquerdo e ao voltar ao corpo físico a dor havia sumido para sempre, ufa! Pandas só se alimentam de folhas de bambú e são seres belíssimos, cheios de pelo, sensíveis e resistentes ao frio intenso. Uma das maiores causas de câncer nos EUA é a má alimentação. O povo é viciado em sanduíches gordos e batatas!
Um conhecido me presenteou com abricós frescos, cultivados na sua fazenda, sem agrotóxicos. Comi dois e fiquei sem fome para jantar. Meu corpo parecia recarregado da energia solar que fazem o abricó ficar amarelo e doce.
Fumadores de um modo geral ficam impregnados de odor, assim como as vacas fogem do açougueiro. Assim como as vacas correm, os espíritos que vagam pelas ruas por rejeitarem a luz correm para os fumadores, usuários de drogas, viciados em remédios, alcoólatras, carnívoros e aqueles que se alimentam exageradamente e de alimentação pobre, isto é, sanduíches, frituras, gorduras, etc.
As abelhas estão sumindo do entorno das grandes cidades norte-americanas por causa das antenas para celulares e tv a cabo porque elas são sensíveis ao barulho que isso faz e à irradiação que cria, as quais não são percebíveis pelo ser humano comum. Com barulho elas não conseguem trabalhar e produzir mel. Resultado: nos EUA, mel puro é caro e raro. Um dia recebi dois irmãos norte-americanos para uma consulta, um de seis anos e outro de onze. O de seis anos era falante, inquieto, olhos brilhantes. O de onze calado, cordinho, cabeça baixa e agressivo. Pedi aos pais que aguardassem lá fora enquanto conversava com os dois juntos. Perguntei ao mais novo: o que você acha do seu irmão? Ele respondeu: é burro, só come pizza! E você, come o quê? Eu? Sim, você! Eu como “berries” (morango, framboesa e outras).
Os cientistas já sabem que as “berries”, como açaí, são excelentes para a vista, a imunidade em geral. O mais velho não interferiu na conversa. Os pais trouxeram os dois porque o mais velho batia no mais novo. Eu gosto de pizza, e como uma a cada três meses, mais ou menos, mas há uma estranha “coincidência”: os criminosos norte-americanos mais perversos só comem pizza, sanduíche e bebem aqueles energéticos que só Deus sabe o que tem dentro – arrasam o fígado, todos eles.
Para você saber como anda a sua energia espiritual e a como está a sua posição na evolução atual do planeta, observe que tipo de pessoa você atrai, que comida você deseja comer (fria, quente, apimentada, salgada, doce, feita às pressas, etc), que bebida você deseja sempre beber, que música você escura (se depressiva ou construtiva, exemplo: rap é destrutivo, exalta o vício em drogas; duplas sertanejas são masoquistas e cultivam o sofrimento; samba do Rio de Janeiro é físico-sexual-somente chácra básico, desequilibra os demais; rock pauleira desestrutura todos os chácras – todos os cantores de rock morrem cedo e tragicamente; etc). O que tudo isso tem a ver com alimentação? E você consegue separar a influência que causa o barulho das cidades na comida que você come na rua ou faz em casa? As abelhas não conseguem…
Depressão, por exemplo, pode está relacionada à alimentação pobre (distante da natureza). Então, para atrair a prosperidade, a saúde plena, o amor da sua vida certinho, sem problemas jurídicos ou famíliares ou ainda falta de trabalho, coma frutas, verduras e legumes — tudo aquilo que é exposto ao Sol absorve a energia do Sol. Se está cheio de problemas, mude a alimentação e os hábitos. Reze a sua própria oração. Tome banho de Sol mas não se exponha ao Sol para queimar a pele.
Ouça música suave e construtiva, instrumentais – experimente o violino ou o piano puro ou um bom tambor.
Pratique uma ligação com o seu divino interior, talvez adormecido, sem intermediários.
Leia bastante e saia da ignorância para não atrair a ignorância nesta e nas futuras vidas.
Ame a você em primeiro lugar.
* José Joacir dos Santos é Doutor em Psicologia Oriental, mestre em Medicina Oriental e mestre Reiki.
jjoacir@yahoo.com
jjoacir@yahoo.com
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Boa poesia....

"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - ondeOs deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!E é um sonho louco este nosso mundo...
""Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não foraA mágica presença das estrelas!
""Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida, Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio: Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua, Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas, Atiro a rosa do sonho Nas tuas mãos distraídas..."
Mario Quintana
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázioou flecha de cravos que propagam o fogo:te amo como se amam certas coisas obscuras,secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e levadentro de si, oculta, a luz daquelas flores,e graças a teu amor vive escuro em meu corpoo apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,te amo diretamente sem problemas nem orgulho:assim te amo porque não sei amar de outra maneira,senão assim deste modo em que não sou nem éstão perto que tua mão sobre meu peito é minhatão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
A cada Noite quero perder-me nas águas obscuras
Que lavam o dia, mas sob essas puras Águas que nos concedem o penúltimo Nada Pulsa na hora cinza o obsceno portento.Pode ser um espelho com meu rosto distinto,Pode ser a crescente prisão de um labirinto Ou um jardim.
O pesadelo sempre atento.Seu horror não é deste mundo.
Causa inominada Alcança-me desde ontens de mito e de neblina;
A imagem detestada perdura na retina A infama a vigília como a sombra infamada.Por que brota de mim, quando o corpo repousa
E a alma fica só, esta insensata rosa?
Jorge Luis Borges
Com a fronte voltada para o chão e o pensamento alto,ia eu andando, andando,e na senda do tempose lançava minha vida em busca de um desejo.
Com a fronte voltada para o chão e o pensamento alto,ia eu andando, andando,e na senda do tempose lançava minha vida em busca de um desejo.
Junto ao caminho cinzento vi uma vereda em flor e uma rosa cheia de luz, cheia de vida e de dor.
Mulher, flor que se abre no jardim:as rosas são como tua carne virgem,com sua fragrância inefável e sutil e sua nostalgia da tristeza.
1921 - Poemas Esparsos
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Abandonando o passado...

Deixe que os mortos enterrem os mortos
Reúna coragem, pois a jornada já começou. Mesmo se você voltar, não irá encontrar a mesma praia outra vez. Mesmo se você voltar, os velhos brinquedos não o ajudarão em nada, você já não tem o que fazer com eles, pois saberá que são brinquedos.
Agora aquilo que é real deve ser encontrado, deve ser pesquisado. E não está muito longe: está dentro de você.
Um homem que vive de acordo com o passado certamente irá encontrar tédio, falta de sentido e uma espécie de angústia: "O que estou fazendo aqui? Por que continuo a viver? O que há no amanhã?
Outra repetição do dia de hoje? E tudo que houve hoje foi uma repetição de ontem."
Então qual é o sentido?
Por que ficar se arrastando do berço até a sepultura, cumprindo a mesma rotina?Isso pode ser bom para búfalos ou asnos, porque eles não têm uma memória do passado, não têm qualquer idéia sobre o futuro.
Eles não ficam entediados, porque é necessário uma certa consciência para que haja tédio.
Essa consciência percebe que você já fez isso antes, que está fazendo de novo e que o fará mais uma vez amanhã, porque você não sai do passado, não deixa que ele morra, você o mantém vivo.
Esse é o dilema que todos encontram na vida e a única solução é deixar o passado morrer.Há uma linda história na vida de Jesus.
Ele chegou a um lago, cedo pela manhã, antes que o sol nascesse. Um pescador ia jogar sua rede no lago, quando Jesus colocou sua mão no ombro do pescador e disse: "Durante quanto tempo você vai fazer essa mesma coisa, todos os dias - manhã, tarde e noite - apenas pescar? Você acha que isso é tudo que há na vida?.
"O pescador disse: "Nunca havia pensado nisso,mas, como você fez a pergunta, entendo o que você diz, deve haver algo mais na vida.
"Jesus então disse: "Se vier comigo, lhe ensinarei como pescar homens, em vez de pescar peixes." O homem olhou nos olhos de Jesus. Havia tanta profundidade, tanta sinceridade, tanto amor que não era possível duvidar daquele homem, havia um silêncio tão grande a seu redor que não era possível dizer não para ele.
O pescador atirou sua rede na água e seguiu Jesus.Quando eles estavam prestes a deixar a cidade, um homem veio correndo e disse ao pescador: "Seu pai, que estava doente há dias, morreu. Volte para casa!"O pescador perguntou a Jesus: "Dê-me apenas três dias, para que eu possa cumprir os últimos rituais que um filho deve desempenhar quando seu pai morre.
"Jesus respondeu ao pescador - e essa é a frase da qual gostaria que vocês se lembrassem:
"Deixe que os mortos enterrem os mortos, você vem comigo.
"O que ele quis dizer?
"Toda a cidade está repleta de pessoas mortas.
Elas irão lidar com o corpo de seu pai. Você não é necessário, você vem comigo."A cada momento algo está morrendo.
Não seja um colecionador de antiguidades: deixe para trás tudo aquilo que está morto. Continue com sua vida, com sua plenitude e intensidade, e nunca irá se defrontar com nenhum dilema, nenhum problema.
OSHO
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Um haiku

O ladrão
a deixou para trás -
A lua na janela.
Ryokan
Foi justamente isso que Ryokan escreveu logo que o ladrão foi embora.
Toda a história é bonita....
Uma noite um ladrão entrou na pequena cabana de Ryokan.
Ryokan tinha apenas um lençol que ele utilizava noite e dia para cobrir seu corpo.
Isso era a única coisa que ele possuia.
Ele estava deitado mas não estava adormecido, então ele abriu os olhos e viu o ladrão entrando.
Ele sentiu muita compaixão por ele pois sabia que não havia nada na casa. “Se o pobre companheiro tivesse me informado antes, eu poderia ter pedido alguma coisa aos vizinhos e teria guardado aqui para ele roubar. Mas agora, que posso fazer?”
Vendo que nada havia, que ele tinha entrado na cabana de um monge, o ladrão fez menção de sair.
Ryokan não pôde resistir.
Ele deu seu lençol ao ladrão.
O ladrão disse, “Que você está fazendo? Você ficou despido. Essa noite está muito fria!”
Ele disse, “Não se preocupe comigo. Mas não se vá de mãos vazias. Eu gostei desse momento, você me fez sentir como um homem rico. Ladrões geralmente entram nos palácios dos emperadores. Por você entrar aqui, minha cabana também tornou-se um palácio, eu também tornei-me um emperador. Na minha alegria isso é um presente”.
Mesmo o ladrão ficou sentido por ele e disse, “Não, eu não posso receber esse presente pois você não possui coisa alguma. Como é que você vai passar a noite?
Está tão frio, e está ficando mais frio!”
Ryokan disse com lágrimas nos olhos, “Você me lembra de novo e novamente da minha pobreza. Se tivesse em meu poder eu me apoderaria da lua cheia e a daria a você”.
Quando o ladrão foi embora ele escreveu em seu diário:
O ladrão
deixou-a para trás -
A lua na janela.
Estes haikus não são poemas comuns. Estas são declarações de profunda meditação.
Dogen, The Zen Master: A Search and a Fulfillment
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Desafio Ético

Por Frei Betto.
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China.
Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos,com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa,mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?
"Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?"Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde".
Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde"."Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei."Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!
"Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional.
Não adianta ser um super-executivo se não se consegue se relacionar com as pessoas.
Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica;hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:"Como estava o defunto?".
"Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!
"Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir- se na realidade, conhecer a realidade.
Hoje, a palavra é virtualidade.
Tudo é virtual.Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega AIDS, não há envolvimento emocional, controla- se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio,sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real!
É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos:somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito.Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema:a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.
A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva.
Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:"Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!
"O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista.
Ou de remédios.
Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes.
Colocá-los onde?
Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão.
Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro.
Porque, para fora, ele não tem aonde ir!O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo,começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor.Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis:amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.S
e alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral,deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas;neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo,acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente- se no reino dos céus.
Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório.Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa,com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:"Estou apenas fazendo um passeio socrático.
"Diante de seus olhares espantados, explico:Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas.Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.
"Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond).
domingo, 28 de setembro de 2008
Recrie-se

O Poder da Deusa Consagrando o Cotidiano
Mirella Faur
O ressurgimento do Sagrado Feminino nos traz uma nova visão espiritual. A espiritualidade centrada no culto à Deusa implica no respeito à natureza e à vida em todos as suas manifestações, no cultivo da compaixão e aceitação nossa e dos outros, no reconhecimento da intuição e sabedoria existentes – mesmo que latentes – em todos nós, na celebração alegra da unidade com toda a criação.
Para sentir o poder da Deusa, comece a perceber o sagrado em tudo que a cerca, em cada dia, em cada lugar. Talvez precise de algum tempo para notar e experimentar conscientemente momentos, vivências, encontros, que antes passavam de forma fugaz sem que você percebesse o seu valor.
Adquirindo uma nova consciência a sua vida torna-se mais rica, um acontecimento ou encontro não mais é algo fortuito, as “coincidências” passam a ser facetas da sincronicidade cósmica.A mulher tem um enorme poder dentro de si.
Não é o poder sobre alguém ou contra alguém, é o seu poder inato e ancestral, a sua intuição, percepção, compreensão, compaixão, criatividade, amor e conexão – consigo mesma, com os outros, com o Divino.
Nas antigas tradições e culturas o poder criativo e renovador da Deusa eram o símbolo da própria vida, a Terra e a mulher eram consideradas sagradas sendo suas representações. Nos cultos e mistérios femininos honravam-se os ciclos eternos que marcavam a vida do renascimento à morte, e desta para um novo início através do renascimento.
Vida e morte eram interligadas de forma misteriosa e divina, competindo às mulheres as tarefas de recepcionar e cuidar da vida (como parteiras, mães, curandeiras), assistir e auxiliar as transições (como xamãs e sacerdotisas) e servir como intermediarias entre o humano e o divino (profetisas, oráculos).
O poder da Deusa possibilita a expansão do potencial emocional, mental, criativo e espiritual inatos em cada mulher. O poder da mulher está na sua sabedoria, a compreensão intuitiva, imparcial e sábia dos processos e das surpresas da vida. Nem toda mulher pode ser jovem, bonita, culta, rica, mas todas as mulheres podem se tornar sábias, permanecendo serenas no meio do tumulto.
As mulheres que almejam o poder da Deusa cultivam uma forma diferente de espiritualidade, buscando expandir sua consciência, honrando a vida em tudo ao seu redor e transformando o mundano em sagrado. A chave para a transformação espiritual é o enriquecimento e o aprofundamento de sua vida interior, podendo assim acessar e confiar no seu Eu Superior.
Para nutrir e embelezar nossas vidas podemos usar inúmeros recursos, simples ou elaborados, como alguns dos seguintes:
1. Crie um espaço sagrado no seu lar, não somente através de um altar, mas usando sua inspiração, imaginação e amorosidade para que todos se sintam bem, protegidos, nutridos e amados;
2. Crie momentos sagrados – para si mesma ou compartilhando-os com amigos e familiares – caminhando na natureza, ouvindo música suave, jantando a luz de velas, lendo textos que nutram a alma, enriqueça a sua mente e elevem o espírito;
3. Entre em comunhão com a natureza, honrando a Deusa em todos os seus aspectos e manifestações. Não basta encher sua casa de plantas se você não entrar em contato real e profundo com a terra, a chuva, o vento, as nuvens, o Sol, a Lua, os animais – seus irmãos de criação;
4. Respire e consagre seu corpo como a morada da sua alma durante esta encarnação. Procure viver de forma saudável, fazendo suas opções com consciência, sem se agredir e sem culpar – a si ou aos outros – pelos seus problemas ou compulsões. Coma bem para viver melhor. Observe suas fugas e compensações, cuide da sua “criança” carente ou ferida ajudando-a a crescer, curando-a com amor e dando-lhe os meios adequados para se tornar forte e auto-suficiente;
5. Manifeste sua criatividade – escreva, borde, pinte, desenhe, faça colagens, modele argila, cante, recite, dance, aprenda algo novo, componha um poema ou canção, faça pão, comece um diário de sonhos. A mulher que não dá vazão construtiva à sua imensa capacidade criativa pode torná-la em energia destrutiva – contra si ou contra os outros;
6. Coloque em prática os ensinamentos espirituais. Não se contente em ler inúmeros livros ou participar de cursos e workshops se você não pratica aquilo que aprendeu. Para mudar, precisa viver de forma consciente, reconhecer e transmutar seus pensamentos negativos e ser sincera nas avaliações – suas e dos outros. Todas as experiências dolorosas da vida são aprendizados cujas lições podem contribuir para sua transformação. Algumas mensagens levam momentos para serem assimilados, outras, meses ou anos. Quando começar a compreender o significado dos acontecimentos da sua vida, você começou a crescer de fato e assim poderá abrir novas portas na sua vida, se usar a chave certa;
7. Encontre o equilíbrio entre o falar e o silenciar, se movimentar ou se aquietar. Procure se relacionar com pessoas que compartilham das mesmas buscas e que têm o mesmo nível vibratório. Participe de círculos de mulheres em que possa encontrar apoio para a sua jornada espiritual, em que possa confiar para expressar suas dores ou suas conquistas. Celebre a Deusa sozinha ou em grupo, encontrando assim a verdadeira fonte de seu poder, da sua cura e transformação. Cultive a Deusa dentro de você reconhecendo a sacralidade do seu corpo, da sua mente, das suas emoções, da sua vida. E ao reconhecer a Deusa dentro de si, você se tornará uma com Ela.
Fonte: http://sitioremanso.multiply.com/journal
domingo, 21 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
O amor sabe de ti

O Amor sabe de ti muito além do que possas imaginar.
Ele te guarda precioso e intocável, além do tempo, além das tuas criações, além do teu sofrimento e da tua memória.
Sente que és Amor.
Nasceste da Sua semente, da Sua vontade e da Sua bênção, para que crescesses e vivesses com Ele.
Jamais poderás estar separado Dele, porque Ele é a tua essência.
O Amor olha por ti, e por vezes não O vê e nem O sente.
Cuida de ti, fala por ti, e por vezes não O percebes em ti.
Mas, o Amor não te abandona, sabe que um dia virás a Ele, porque este é o teu destino.
Então fica, paciente, a esperar pelo teu chamado.
E quando O chamares, saberás que Ele está em ti.
E quando O sentires em teu ser serás restaurado em Sua luz.
Sendo assim, doarás teu amor aos teus irmãos, para que estes, concebam-no e, rapidamente, possam, como tu, restaurarem à si próprios dentro da única realidade que Deus deixou para cada um dos Seus Filhos.
Sentes medo porque estás por demais acostumado a sofrer, consequentemente, pensas que és assim.
E te digo que não pode ser este o teu destino, porque és o meu igual, o meu amado irmão.O que a mim é dado, a ti é dado também.
Olha para ti, não há nada que possa ser comparado a tua beleza, a tua soberania, porque és filho do Amor e assim o Amor te desejou.
És pura beleza caminhando nesta terra.
Encontra a ti mesmo e o Amor te guiará, elevando-te às alturas do teu ser.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Perdão
Quando perdoas o que parece difícil de resolver, simplesmente desaparece, e tu passas a seguir em tempos de grande sabedoria e tranquilidade.Através do perdão crias meios para que possas prosseguir em um estado de grande consciência e amor.A cada acontecimento, a cada dor, a cada sofrimento, perdoa a ti e aos teus irmãos e, imediatamente, outra visão ser-te-á dada onde, a única coisa que poderás ver é a leveza e a alegria que o Criador quer que tu aprendas e vivas constantemente.Não percas teu tempo, nem mais um segundo.Não queiras resolver sozinho, a parte de Deus, tudo aquilo que te faz sofrer.Entrega e junto da tua entrega dá teu perdão.Assim, toda a raiva e a falta de paz irão desaparecer, dando para ti um caminho real, onde trilharás na mais absoluta certeza de que és parte do mundo onde vive Deus.Perdoa e tudo que não te deixa viver em paz desaparecerá, pois esta é a tua vontade quando pensas no perdão:restaurar a harmonia e o amor em teu ser.A cada hora, a cada minuto, estejas atento ao perdão, para que possas viver em plenitude na próxima hora que seguirá.Perdoando, saberás o porque dos equívocos que cometes ou que a ti são cometidos, por mais diferentes que possam ser, o motivo para cada um deles sempre será o mesmo: a vontade em prosseguir sozinho, longe do amor do Teu Criador.Perdoando, curas o que parece estar doente em ti, estendendo a alegria a todos que a tua volta estão.Não negues tua disponibilidade em aprender o perdão.Em realidade única, ele é o que te devolverá o que pensastes haver perdido: o dom de amar e compreender a todas as coisas presentes na terra e no céu.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Buscando a alegria

Quando sentires falta de ti próprio, buscarás por tua alegria.
Teu ser borbulha, tua alma salta quando encontras a ti mesmo.
O mundo parece não se conter, e a vida ganha seu maior sentido.
Deus se aconchega em teus olhos e a natureza curva-se perante tua
presença.
Quando não estás conectado a ti próprio, a vida adormece; tua confusão
mental te desvia das esferas superiores, deixando-te deprimido.
Olha o céu, parece tão grande, mas não chega a se comparar com a imensa alegria que trazes dentro de ti.
Salta, brinca...Busca nas coisas mais simples da vida o seu real significado.
Não percas muito tempo em coisas que não podem te trazer este sentimento.
Somente através dele poderás sentir o perfume; a beleza do que é seguir em tua própria natureza, em teu real propósito.
Sê feliz.
domingo, 31 de agosto de 2008
Vale a pena pensar....

É PROIBIDO SOFRER(Arnaldo Jabor)
O Brasil está se defrontando com o absurdo de sua estrutura institucional. Esta explosão galáctica da crise entre polícia, política, judiciário, empresariado, estado e capital revela o tumor do absurdo nacional.
Olho em volta e tenho de comentar o incompreensível, o indestrutível, o inexplicável, o inevitável, o incurável, o impossível.
É desanimador. Deprimo, porque vivemos no Brasil uma dupla mensagem: tragédia nas notícias e gargalhadas nas revistas de celebridades. Dentro da paisagem tenebrosa, somos obrigados a ser felizes.
Hoje em dia é proibido sofrer.
Temos de “funcionar”, temos de rir, de gozar, de ser belos, magros, chiques, tesudos, em suma, temos de ter “qualidade total”, como os produtos. Para isso, há o Prozac, o Viagra, os “uppers”, os "downers”, senão nos encostam como mercadorias depreciadas.
No entanto, a depressão tem grande importância para a sabedoria; sem algum desencanto com a vida, sem um ceticismo crítico, ninguém chega a uma reflexão decente.
O bobo alegre não filosofa pois, mesmo para louvar a alegria, é preciso incluir o gosto da tragédia. No pós-guerra, tivemos o existencialismo, o suicídio da literatura com gênios como Beckett e Camus ou o teatro do absurdo, o homem entre o sim e o não, entre a vida e o nada.
A infelicidade de hoje é dissimulada na alegria obrigatória. “A depressão não é comercial”, lamentou um costureiro gay à beira do suicídio, mas que tinha de sorrir sempre, para não perder a freguesia.
O bode pós-moderno vem da insatisfação de estar aquém de uma felicidade prometida pela propaganda e pelo mercado. É impossível ser feliz como nos anúncios de margarina, é impossível ser sexy como nos comerciais de cerveja.
Ninguém quer ser “sujeito”, com limites, angústias; homens e mulheres querem ser mercadorias sedutoras, como BMWs, Ninjas Kawasaki. E aí, toma choque, toma pílula, toma tarja preta.
Só nos resta essa felicidade vagabunda fetichizada em êxtases volúveis, famas de 15 minutos, “fast fucks”, raves sem rumo. O mercado nos satisfaz com rapidez sinistra: a voracidade, o tesão, o amor. E pensamos: “E se não houvesse mais desejo? Eu posso escolher o filme ou música que quiser, mas, nessa aparente liberdade,“quem” me pergunta o que eu quero?
A interatividade é uma falsificação da liberdade, pois ignora meu direito de nada querer. Eu não quero nada.
Não quero comprar nada, não quero saber nada, quero ficar deprimido em paz. Estava neste ponto do artigo quando um Ananda Rubinstein, cientista político, me enviou um texto chamado “Elogio da Melancolia”, de Eric G. Wilson, da Universidade de Wake Forest. Veio a calhar. Com destreza acadêmica, ele aprofunda meus conceitos. Ele escreve: “Estamos aniquilando a melancolia. Inventaram a ciência da felicidade. Livros de auto-ajuda, pílulas da alegria, tudo cria um “admirável mundo novo” sem bodes, felicidade sem penas.
Isso é perigoso, pois anula uma parte essencial da vida: a tristeza.” Ele continua: “Não sou contra a alegria em geral, claro...Nem romantizo a depressão clínica, que exige tratamento. Mas, sinto que somos inebriados pela moda americana de felicidade.
Podemos crer que estamos levando ótimas vidas simpáticas e livres, quando nos comportamos artificialmente como robôs, caindo no conto dos desgastados comportamentos “felizes”, nas convenções do contentamento. Enganados, perdemos o espantoso mistério do cosmo, sua treva luminosa, sua terrível beleza.
O sonho americano de felicidade pode ser um pesadelo. O poeta John Keats morreu tuberculoso, em meio a brutais tragédias, mas nunca denunciou a vida. Transformou sua desgraça em uma fonte vital de beleza. As coisas são belas, porque morrem – ele clamava. A rosa de porcelana não é tão bela como aquela que desmaia e fenece.
A melancolia, a consciência do tempo finito é o lugar de onde se contempla a beleza. Há uma conexão entre tristeza, beleza e morte. Só o melancólico cria a arte e pode celebrar a experiência do transitório resplendor da vida.
A melancolia, longe de ser uma doença, é quase um convite milagroso para transcender o ‘status quo” banal e imaginar inéditas possibilidades de existência. Sem a melancolia, a terra congelaria num estado fixo, previsível como metal.
Deste modo, o mundo se torna desinteressante e morre. Todo mundo ficaria contente com o que lhe é dado (que, aliás, é o sonho do Mercado – a satisfação completa do freguês). Mas quando a gente permite que a melancolia floresça no coração, o universo, antes inanimado, ganha vida, subitamente.
Regras finitas dissolvem-se diante de infinitas possibilidades. A felicidade torna-se pouco – passamos a querer algo mais: a alegria (“joy”). Mas, por que não aceitamos isso e continuamos a desejar o inferno da satisfação total, a felicidade plena?
A resposta é simples: por medo. A maioria se esconde atrás de sorrisos tensos porque tem medo de encarar a complexidade do mundo, seu mistério impreciso, suas terríveis belezas.
Para fugir desta contemplação atemorizante, nos perdemos em distrações vãs e em um bom humor programado. Somos de uma natureza incompleta, somos de vagas potencialidades, e isto faz da vida uma luta constante em face do desconhecido.
Usamos uma máscara falsa, sorridente, um disfarce para nos proteger do abismo. Mas, este abismo é também nossa salvação. Ser contra a felicidade é abraçar o êxtase. A aceitação do incompleto é um chamado à vida. A fragmentação é liberdade.”
É isso aí. A felicidade tem um pouco de tristeza.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Flores que vivem em ti....
Já sentiste o perfume de uma flor?
Quando o teu coração for silenciado pela voz da escuridão que teima em te iludir, sente o perfume de uma flor...
Será suficiente para trazer à tona que és tu a razão para a flor existir;
que és tu a razão para que nela esteja o doce perfume.
Na realidade, o que pareceres tomar da flor é o que habita em teu ser.
domingo, 17 de agosto de 2008
Quem não sonha, não sabe o que quer....

COMO FAZER SONHOS
Vem cá.
Vamos tomar café
e fazer sonhos.
Um aquece
e o outro
leva a tristeza embora.
Eu a conheci há muito tempo,
no tempo do eterno,
no tempo de tornar eterno e terno
o necessário para a sobrevivência.
Era, e sempre vai ser,
uma fazedora de alimentos para viver;
transformava
sentimentos doloridos, tristezas, mágoas, melancolias, desilusões
em bem querer a si mesmo
e, assim, conseguir lutar pelo desejado.
- Vó, a senhora está triste?
- Triste, eu? Vem cá, vamos tomar café e fazer sonhos.
Um aquece
e o outro leva a tristeza embora.
Quem não sonha não sabe o que quer.
Aí ela me contava os seus sonhos,
vividos, não vividos, por viver.
Assim me ensinava a sonhar
e eu não estava mais triste.
Então, e só então, íamos ver a sorte.
Na sorte não existiam sonhos,
existiam possibilidades,
impossibilidades,
existia dor, morte, sorte, paixões, traições,
namorados, quereres;
decepções, intrigas, cuidados,
amores desfeitos e refeitos...
Já não fazia mal ter tudo isso,
as partes haviam se juntado,
o que era veneno tinha virado alimento.
E com tudo isso lá ia eu,
preenchida, vívida,
me lembrando das histórias de possibilidades
ali vividas,
acreditando...
As histórias eram muitas,
uma vez me ensinou a caçar o medo.
- Certa feita, a minha filha Adijalva fugiu,
ela tinha que enfrentar o amor
e teve medo.
Então juntei as outras filhas e fomos atrás dela,
pelo sertão do Mato Grosso,
a cavalo,
dias sem fim.
A companhia era o amor que tinha me fugido
e a vontade de encontrá-lo;
o medo de perdê-lo afastava os outros medos:
cobra, onça, sertão, mata, solidão, monstros,
ausência de sonhos, desilusão,
medo de perder e de me perder.
Foram dias andando atrás, sem parar,
desmontamos
e montamos acampamento,
uma fogueira para aquecer,
para afugentar medos de fora.
Mas ninguém se esquentou bastante
e apareceu uma onça.
Não tive dúvida:
- Ou eu ou a onça.
Matei e assei.
Estava com fome, não com medo.
(Aqui vinha
a gargalhada de quem venceu.)
E depois,
se você tem medo de onça,
você precisa ir atrás,
acabar com ela, se não ela acaba com você;
comer um pedaço
e provar que você acaba com ela
para nunca mais ter medo dela.
E com isso eu aprendi que
o medo é encantado e poderoso
por isso ele assusta.
Este foi o meu alimento.
Provar uma vez só não basta,
é preciso saber mais.
Um dia alguém lhe disse que
estava cheia de suas histórias
e que ela se modificasse,
parasse de ser o que era e
se transformasse numa coisa só.
Então ela ficou muito triste,
ser uma coisa só era não-viver,
era ficar sem os seus alimentos.
Assim foi procurar um veneno
que tinha reservado para esta situação,
para o dia em que não pudesse mais se alimentar,
porque ficar viva, sem viver
o que ela era,
não bastava para essa mulher.
E começou a remexer nos seus guardados
nas malas antigas,
em seu baú,
buscava o seu veneno
desesperadamente,
no seu olhar ardia,
jamais vista,
a dor que não podia suportar:
não poder ser o que era.
Quem passou a vida
procurando alimentos para venenos,
achou um alimento antigo,
que tinha cultivado a vida toda.
Um alimento especial,
criado por ela mesma, para ela mesma.
De dentro de uma mala escura, empoeirada,
tirou um vidro nada empoeirado.
Vidro pequeno,
dentro reluzia um pó,
negro-brilhante, muito vivo.
- Achei! Ah! Agora sim!
Havia me esquecido,
fazia tempo que não usava.
Venha ver, isto você precisa aprender.
Você não vai acreditar no que vai ver
mas vai ver e acreditar.
Pegue essa lata embaixo da cama
(a cama de ler sorte).
A lata, velha, antiga, gasta
e cheia de pedras,
as pedras escuras não pareciam ter vida.
Olhe bem para elas, veja como estão,
vou dar alimento para elas.
É necessário alimentar as pedras,
senão elas morrem
e você morre junto.
Então, como se soubesse
que elas estavam há muito sem alimento,
com expressão de quem sabe muito bem o que é
isso.
despejou o pó negro nas pedras
(só um pouco, para sempre ter mais)
e elas se mexeram.
C r i a r a m v i d a
cresceram
e, depois de crescidas,
se posicionaram de outra forma
e pareciam em paz.
Um dia eu tive um sonho,
eu lhe pedia um pouco do seu pó
pois agora sabia o que queria
mas não sabia
como conseguir o que queria.
Ela me respondeu que
eu poderia conseguir tudo o que quisesse
mas o pó só eu, eu mesma, teria que conseguir.
Então lhe pedi a possibilidade, a lata,
e saí pela montanha, contente,
acreditando,
à procura do meu pó.
Um dia eu soube que tinha
o pó, negro-brilhante,
embora tivesse receio de usar e acabar.
Sem lhe falar,
ela soube que eu tinha conseguido.
Aí eu quis o que ela sempre quis,
ler a sorte, aprender.
Então me disse que não precisava mais me ensinar:
- Você já sabe.
Quando quiser, comece.
Assim, resolveu descansar
e foi ter com o seu pó.
Fui procurar a lata
porque o pó, o dela, levou consigo.
Queria cuidar da lata de pedras,
mas esta também era sua,
as pedras haviam morrido,
a vida delas foi junto,
a lata se enferrujara,
estava desmanchando.
Fiquei muito triste,
querendo que ela fosse eterna,
então me lembrei:
- Triste, eu?
Venha tomar café
e fazer sonhos.
Vó se dera o nome de Iracema,
no batismo era Agda, Águida.
Fábia Rímoli.
Vem cá.
Vamos tomar café
e fazer sonhos.
Um aquece
e o outro
leva a tristeza embora.
Eu a conheci há muito tempo,
no tempo do eterno,
no tempo de tornar eterno e terno
o necessário para a sobrevivência.
Era, e sempre vai ser,
uma fazedora de alimentos para viver;
transformava
sentimentos doloridos, tristezas, mágoas, melancolias, desilusões
em bem querer a si mesmo
e, assim, conseguir lutar pelo desejado.
- Vó, a senhora está triste?
- Triste, eu? Vem cá, vamos tomar café e fazer sonhos.
Um aquece
e o outro leva a tristeza embora.
Quem não sonha não sabe o que quer.
Aí ela me contava os seus sonhos,
vividos, não vividos, por viver.
Assim me ensinava a sonhar
e eu não estava mais triste.
Então, e só então, íamos ver a sorte.
Na sorte não existiam sonhos,
existiam possibilidades,
impossibilidades,
existia dor, morte, sorte, paixões, traições,
namorados, quereres;
decepções, intrigas, cuidados,
amores desfeitos e refeitos...
Já não fazia mal ter tudo isso,
as partes haviam se juntado,
o que era veneno tinha virado alimento.
E com tudo isso lá ia eu,
preenchida, vívida,
me lembrando das histórias de possibilidades
ali vividas,
acreditando...
As histórias eram muitas,
uma vez me ensinou a caçar o medo.
- Certa feita, a minha filha Adijalva fugiu,
ela tinha que enfrentar o amor
e teve medo.
Então juntei as outras filhas e fomos atrás dela,
pelo sertão do Mato Grosso,
a cavalo,
dias sem fim.
A companhia era o amor que tinha me fugido
e a vontade de encontrá-lo;
o medo de perdê-lo afastava os outros medos:
cobra, onça, sertão, mata, solidão, monstros,
ausência de sonhos, desilusão,
medo de perder e de me perder.
Foram dias andando atrás, sem parar,
desmontamos
e montamos acampamento,
uma fogueira para aquecer,
para afugentar medos de fora.
Mas ninguém se esquentou bastante
e apareceu uma onça.
Não tive dúvida:
- Ou eu ou a onça.
Matei e assei.
Estava com fome, não com medo.
(Aqui vinha
a gargalhada de quem venceu.)
E depois,
se você tem medo de onça,
você precisa ir atrás,
acabar com ela, se não ela acaba com você;
comer um pedaço
e provar que você acaba com ela
para nunca mais ter medo dela.
E com isso eu aprendi que
o medo é encantado e poderoso
por isso ele assusta.
Este foi o meu alimento.
Provar uma vez só não basta,
é preciso saber mais.
Um dia alguém lhe disse que
estava cheia de suas histórias
e que ela se modificasse,
parasse de ser o que era e
se transformasse numa coisa só.
Então ela ficou muito triste,
ser uma coisa só era não-viver,
era ficar sem os seus alimentos.
Assim foi procurar um veneno
que tinha reservado para esta situação,
para o dia em que não pudesse mais se alimentar,
porque ficar viva, sem viver
o que ela era,
não bastava para essa mulher.
E começou a remexer nos seus guardados
nas malas antigas,
em seu baú,
buscava o seu veneno
desesperadamente,
no seu olhar ardia,
jamais vista,
a dor que não podia suportar:
não poder ser o que era.
Quem passou a vida
procurando alimentos para venenos,
achou um alimento antigo,
que tinha cultivado a vida toda.
Um alimento especial,
criado por ela mesma, para ela mesma.
De dentro de uma mala escura, empoeirada,
tirou um vidro nada empoeirado.
Vidro pequeno,
dentro reluzia um pó,
negro-brilhante, muito vivo.
- Achei! Ah! Agora sim!
Havia me esquecido,
fazia tempo que não usava.
Venha ver, isto você precisa aprender.
Você não vai acreditar no que vai ver
mas vai ver e acreditar.
Pegue essa lata embaixo da cama
(a cama de ler sorte).
A lata, velha, antiga, gasta
e cheia de pedras,
as pedras escuras não pareciam ter vida.
Olhe bem para elas, veja como estão,
vou dar alimento para elas.
É necessário alimentar as pedras,
senão elas morrem
e você morre junto.
Então, como se soubesse
que elas estavam há muito sem alimento,
com expressão de quem sabe muito bem o que é
isso.
despejou o pó negro nas pedras
(só um pouco, para sempre ter mais)
e elas se mexeram.
C r i a r a m v i d a
cresceram
e, depois de crescidas,
se posicionaram de outra forma
e pareciam em paz.
Um dia eu tive um sonho,
eu lhe pedia um pouco do seu pó
pois agora sabia o que queria
mas não sabia
como conseguir o que queria.
Ela me respondeu que
eu poderia conseguir tudo o que quisesse
mas o pó só eu, eu mesma, teria que conseguir.
Então lhe pedi a possibilidade, a lata,
e saí pela montanha, contente,
acreditando,
à procura do meu pó.
Um dia eu soube que tinha
o pó, negro-brilhante,
embora tivesse receio de usar e acabar.
Sem lhe falar,
ela soube que eu tinha conseguido.
Aí eu quis o que ela sempre quis,
ler a sorte, aprender.
Então me disse que não precisava mais me ensinar:
- Você já sabe.
Quando quiser, comece.
Assim, resolveu descansar
e foi ter com o seu pó.
Fui procurar a lata
porque o pó, o dela, levou consigo.
Queria cuidar da lata de pedras,
mas esta também era sua,
as pedras haviam morrido,
a vida delas foi junto,
a lata se enferrujara,
estava desmanchando.
Fiquei muito triste,
querendo que ela fosse eterna,
então me lembrei:
- Triste, eu?
Venha tomar café
e fazer sonhos.
Vó se dera o nome de Iracema,
no batismo era Agda, Águida.
Fábia Rímoli.
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